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Augusto dos Anjos

Soneto: Poeta do hediondo

Sofro aceleradíssimas pancadas
No coração. Ataca-me a existência
A mortificadora coalescência
Das desgraças humanas congregadas!

Em alucinatórias cavalgadas,
Eu sinto, então, sondando-me a consciência
A ultra-inquisitorial clarividência
De todas as neuronas acordadas!

Quanto me dói no cérebro esta sonda!
Ah Certamente eu sou a mais hedionda
Generalização do Desconforto...

Eu sou aquele que ficou sozinho
Cantando sobre os ossos do caminho
A poesia de tudo quanto é morto!



Escrito por Mortais às 19h57
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Igreja Católica - Paulo Esdras

Texto de Paulo Esdras, segundo as observações feitas no dia 28/08/2005 na Paróquia Nossa Senhora Aparecida – Imbuí.

 

Quando adentrei na igreja, um senhor idoso me abordou com um folheto de papel-solta-tinta contendo o que seria a missa: os ritos iniciais, as rezas, as reflexões acerca da Bíblia, a oração eucarística, os ritos da comunhão e os ritos finais. Folheando, percebi o quanto a cerimônia seria demorada.

Os bancos eram duros e desconfortáveis. Abaixo deles uma madeira seca estava sedenta por joelhos pecadores. Muitos dos fiéis presentes estavam ajoelhados e orando. Haviam também crianças entediadas que eram submetidas a brincar com seus bonecos da Mcdonalds, em silêncio, sobre o banco duro. Próximo ao altar um grupo musical afinava os instrumentos. A igreja a cada instante ia enchendo de gente. Muitos jovens, para minha surpresa. Alguns me olhavam como que reconhecendo uma suposta nova ovelha. Quem me observou com um sorriso amigável foi uma senhora que estava atrás de uma barraca verde oliva onde se lia “DÍZIMO”. Deveria ter uns quarenta anos, a idade da loba como dizem alguns. Como não sou cordeiro nem nada, me virei novamente para o altar. Na parede por trás da tribuna, onde normalmente veríamos um Cristo crucificado, havia belíssimas figuras em relevo baseadas na arte bizantina. Os arcos laterais da paróquia estavam sem pintura (o que seria mais tarde explicado por uma velha e simpática senhora que o objetivo era construir doze colunas para simbolizar os apóstolos).

 

Ao meu lado vejo passar um jovem vestido com uma túnica branca que carregava uma cruz metálica para a entrada da igreja. Imaginei ser um coroinha. Era o estereótipo perfeito de um coroinha de filme: utilizava um óculos de alto grau, era branco e dentuço o que transparecia um vago ar de nerd. Assumo! Você pode até me chamar de preconceituoso, mas se aquele cara não fosse um coroinha seria um nerd maníaco.

O grupo musical começou a tocar uma canção sacra e o coroinha entrou a passos de noiva segurando a cruz. Atrás dele (sem ambigüidades maldosas) entrou o padre com uma roupa verde claro decorada com um pano verde brilhante sobre os ombros. Mais atrás, quatro coroinhas (macho e fêmea, puts!) seguravam velas. Todos da paróquia levantaram, menos eu. Estava no canto direito de um banco da fileira esquerda, ou seja, numa posição estrategicamente escolhida, privilegiada para um observador. Estava praticamente no corredor. Quando o padre finalmente chegou a tribuna uma música animada começou a ser tocada. As pessoas batiam palmas e alguns levantavam as mãos. Após o término do rock apostólico, o sacerdote se sentou numa espécie de trono só permitido aos intermediários de Deus. Uma garota, também de túnica branca, começou a ler os ritos iniciais. Eu acompanhava com o folheto. O garoto que estava brincando perto de mim colocava os bonecos para brigarem com uma expressão raivosa e emitia ruídos que pareciam explosões. Ele não tinha culpa. Ultimamente a televisão só mostra CPIs e guerras. Entre Ladrões acusando ladrões e bombas em metrô, acredito que para as crianças seja mais interessante o que fizer mais barulho, ou seja, a guerra (exceção para os momentos da Deputada Federal Heloísa Helena).

 

Quando voltei a missa a menina já estava terminando de ler. Olhei para o final dos ritos iniciais e uma frase em negrito terminava com todos os fiéis falando: “graças a Deus!”. Esta frase era repetida diversas vezes por todos ao finalizar algum texto. Outra coisa interessante é que sempre depois de uma leitura ou oração vinha uma canção animada com o simples objetivo de acordar aos mais sábios. Quando começava a imaginar para que serve um padre que fica sentado o tempo todo, o próprio levantou-se cercado pelos coroinha como a imagem de Jesus cercado pelos anjos. Foi até o microfone e então descobri para que serve um padre em tempos atuais: falar mal das outras religiões. Primeiro se queixou da perda de fiéis(leia-se dinheiro) para “igrejas ditas evangélicas” e se firmou sobre o argumento de que essas “igrejas ditas evangélicas” – repetiu diversas vezes este termo – na verdade contrariavam o Evangelho quando pediam algo em troca do amor divino. Nesta hora olhei para a barraquinha da senhora loba pra me sertificar de que realmente havia a palavra dízimo. Depois, começou a atacar “as crendices dos ignorantes” – referindo-se a religiões africanas como o Candomblé, a Umbanda – não resisti e fui para casa com meu folheto debaixo do braço e ler o resto da missa em minha cama. Graças a Deus!



Escrito por Mortais às 18h48
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O Inicio

Este blog tem por ofício relatar os acontecimentos dos Mortais e divulgar qualquer evento, noticias e missões do grupo.

Escrito por Mortais às 17h45
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