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Natureza de Seres

Natureza de Seres
 
 
Seres viventes
Seres mormentes
Seres dormentes
Seres doentes
 
A Natureza se divide
A Natureza se decepa
A Natureza inexiste
A Natureza se exaspera
 
A Natureza dos Seres
Os Seres sem Natureza
A crueldade dos Seres
A frieza da Natureza
 
Fragmentos de humanidade
Que se rompem no frio labor
Das tentativas frustradas
Da ambição sem cor
 
 
Sídnei Bastos


Escrito por Mortais às 10h38
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Opinião de Rita Lee

" Por mim, acho que só as mulheres podem desarmar a sociedade, até porque elas são desarmadas pela própria natureza: Nascem sem pênis, sem o poder fálico da penetração e do estupro, tão bem representado por pistolas, revólveres, flechas, espadas. Ninguém lhe dá, na primeira infância, um fuzil de plástico, como fazem com os meninos, para fortalecer sua virilidade e violência. As mulheres detestam o sangue, até mesmo porque têm que derramá-lo na menstruação ou no parto. Odeiam as guerras, os exércitos regulares ou as gangues urbanas, porque lhes tiram os filhos de sua convivência e os colocam na marginalidade, na insegurança e na violência. É preciso voltar os olhos para a população feminina como a grande articuladora da paz. E para começar, queremos pregar o respeito ao corpo da mulher. Respeito às suas pernas que têm varizes porque carregam latas d'água e trouxas de roupa. Respeito aos seus seios que perderam a firmeza porque amamentaram seus filhos ao longo dos anos. Respeito ao seu dorso que engrossou, porque elas carregam o país nas costas. São as mulheres que irão impor um adeus às armas, quando forem ouvidas e valorizadas e puderem fazer prevalecer a ternura de suas mentes e a doçura de seus corações. Nem toda feiticeira é corcunda. Nem toda brasileira é só bunda."

Rita Lee



Escrito por Mortais às 21h45
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Escrito por Mortais às 10h39
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Meio-fio

Como pode algo morrer se já é morto?

Como é estar vivo se a Vida é uma morte?

Como viver uma falsa metáfora hipócrita se está vivo?

Você não é uma metáfora, digo ao espelho todos os dias.

És apenas uma imagem do que quer ser.

Mas, ao mesmo tempo, ele diz tudo isso para mim também.

Se sou apenas uma imagem então não vivo.

Apenas me deixo levar pela inércia do que me disseram que era vida.

Não! Não quero viver esta Vida de merda.

Quero viver o verdadeiro significado deste raro significante

Não quero viver para sempre, apenas o bastante.

Quero viver tudo o que puder a cada instante

Não olhar pra trás, que é bater de cara com um poste

ou olhar pra frente, que é tropeçar no meio-fio.

Todos os dias olho sempre olho no olho do risco.

Meio fio para a loucura, linha tênue para a caverna escura platônica

Não me intimido com a escuridão que por muitas vezes me rodeia.

Se não posso ver ninguém, também ninguém me verá.

Viverei intensamente a minha anonimidade perante os que se julgam iluminados

E não ofuscarei a ninguém.

Sou parte deste magnífico e mágico presente chamado Vida.

Mas apenas parte dele.

 

Paulo Esdras



Escrito por Mortais às 17h53
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"Versos a um coveiro"

"Versos a um coveiro"

Augusto dos Anjos

 

Numerar sepulturas e carneiros,
Reduzir carnes podres a algarismos,
Tal é, sem complicados silogismos,
A aritmética hedionda dos coveiros!


Um, dois, três, quatro, cinco... Esoterismos
Da Morte! E eu vejo, em fúlgidos letreiros,
Na progressão dos números inteiros
A gênese de todos os abismos!


Oh! Pitágoras da última aritmética,
Continua a contar na paz ascética
Dos tábidos carneiros sepulcrais


Tíbias, cérebros, crânios, rádios e úmeros,
Porque, infinita como os próprios números
A tua conta não acaba mais!



Escrito por Mortais às 09h28
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