Prelúdio
Madrugada, minha cabeça está mais limpa
o céu está mais limpo
ontem o céu era todo cinza
molhado
muitos ficam acuado
mas na madrugada calada e parada feito um quadro de arte
tudo está limpo
um cheiro findo outro infinito.
Salvador
no centro da cidade o céu fica próximo de minha mão
e aqui em minha casa
o céu é um quadro, estático
separado do meu corpo
mais um desejo, maior que a minha mão
que meu coração
(ultimamente tenho estado romântico)
um romântico no canto sem canto
a canção toca
e a radiola ver a modernidade nos CDs
a música está arranhada
os CDs estão
e São Salvador, melancolia
melancólico, faz tempo que não me defino assim
em mim
agora só a madrugada e as palavras
as atarefadas
e libertas
gama, alfa, beta
o céu agora só falta o peixe beta
uma seta
uma rima desta
sem porque nem querer
só pelas palavras bagunçadas em minha cabeça
e no fim será meu crânio
assim assumo, quero ser santo
Santo Sampaio
mas um santo sem igreja
e nem mesa, nem reza
e pressa para receber o pedido
não realizaria pedidos
santo não tem ouvido
teria que ter morrido
para ser o Santo Sampaio
não calo, sigo, restrito
escarro, aparato, nato
Santo Sampaio
sem definir um embolado de possibilidades
e vultos também
correm perto de mim
tão perto que até meu cheiro, eles cheiram
e assim vai São Salvador
dentro dos meus olhos
em meu sexo e em minha dor
amor, é o amor que todo mundo quer?
Agora. Eu não.
Quero a madrugada
toda calada
estática
toda sendo ela, ela apenas
o único que procuro, cadê?
Quero ter a madrugada minha
esta melancolia, sem sina
divina
vinda do céu, onde toquei com o dedo hoje no centro da cidade
e por aqui são os sonhos que não lembro
são arrependimentos
(não entendo, que arrependimentos)
e de sincronismo continua a Bahia
revelação cinematográfica
máquina fotográfica
assassinaram a vida
sempre, confesso, assassino o português
sou brasileiro, brasilês
assassinei as palavras, uma a uma
deixei estático no papel o meu sentimento
em palavras. Em nada.
Tudo varia
inclusive a minha loucura
estou a beira
de atacar este céu de poucas estrelas na madrugada
meu amor, meu amor
não posso negar, adoro erotismo
quero ser animal, entrar no sil, fazer repito
adoro suas coxas
e sua vagina, eu tanto imagino
(posso adivinhar, você pensou: ..Pervertido..)
línguas nelas
minha seta também
valorizo o amor mordido
ou beijado
o bico da beija flor em sua flor
meu amor, pinta essa madrugada
mostra o sentir
conciso, santo
sobrenome?
Couto Sampaio
estou convencido sou Santo Sampaio
não falho
pelo menos tento esquecer rapidamente erros
e derrotas
mas agora, sou sim derrotado
o que eu não faço pelo verso
dois versos
um poema
a madrugada
a dispersão
rimando com solidão
uma linha toda preenchida
outra
vazia apenas
e uma sendo uma
assuma agora a canonificação
tenho coração
e meu coração esquece de bater
eu esqueci a porta aberta
no fim a nomenclatura se torna nunca
a paixão uma história
o amor poesia e lua
está poesia sua
dedico a lua
que me encara ousadamente
está madrugada, de céu limpo
e poucas estrelas, vou me despir
e sair daqui
quero encontrar a lua
vê a sua ousadia nua. Minha.
José Augusto 26/11/04 03:01h
Escrito por Mortais às 21h05
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