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Que o Senhor Salve, Salve a Bahia ouvindo a nossa mistura e comendo a nossa dança.
São negros, pobres, brancos, cinzas da lei, gays, heterossexuais, disfarçados, amigos, inimigos, desconhecidos, mulheres, assexuados, muitas pernas, muitas cabeças, muitos sorrisos, que explodem em seus isopores esperando para serem consumidos, santos se masturbando, santas cruzando com orixás e iemanjá com ciúmes, mas também vão rosas e oferendas e corpos e espermas ao mar, o negão que passa, a neguinha que quebra no novo ritmo popular revolucionário e sensual: o arrocha, a musica misturada, a vida engraçada, o cidadão que pede um gole de vinho: o meu pai dá um gole, é a criança que pede carinho, dinheiro muito dinheiro, e um grande segredo que fazem as pessoas entrarem tanto dentro dos isopores e saírem sorridentes, uns com dentes, outros sem dentes, e o asfalto péla vai e vem gente
piririm- pompom- piririm- pompom (a musica revolucionaria e sensual)
ssquidum, dum, dum, ssquidum, dum, dum (os tambores misturados e negrais)
tchamrrram, tcharrram, quetchamrrram, tchamrrram, quetchamrrram, tchamrrram
(talvez jimi molejo e seu samba nacionais)
enquanto isso na mais pura tranqüilidade alguém ler as páginas de um jornal que custa
mil reais
reais sorrisos: me dá um gole por que a festa é de graça mas não tenho dinheiro, a fome some, a dor passa, o gozo meu Deus Talvez com muita cachaça, falsos sorrisos, burgueses, convidados e os sem convites, artistas, estrelas, realezas, certezas, embolados lacrados, existentes, resistentes, há quem durma na cozinha ou na pia, ou na calçada triste: que nada que porra de namorada (mas não esqueça a camisinha ) e no final do dia, só solidão, viu uma duas descaradas, tristes e trepavam, viu o rock, o regue, o pop, os mamelucos, os escravos, em formas de almas desgraçadas, a solidão que nada, quero é sair por aí tomar muita água, no formal: cachaça, e a mistura continua: opa desculpa, opa tio, quantos amigos, quantos sorrisos
todo mundo se conhece todo mundo corre perigo, todo mundo se esquece, menos eu que
não esqueço do meu umbigo
e vão sorrindo juntos e pensando longe, quem sabe os outros umbigos também gritam, mas sempre dizem: amém mas estou bem, camarote, trio elétrico, fora de época, como se precisa-se de época pra isso, a alegria está solta no ar, as fantasias se comem pelo mar, as hipocrisias se misturam as maravilhas, os cheirados, os desgraçados, os caretas, os médicos, os empregados e desempregados, os mulatos, os criminosos, estupradores, e ladrões, os maconheiros, os marginais, os ufanista, os políticos, os malucos, e todos somos malucos, e sobre tudo os surdos, mudos, mortos, vultos, e tudo vai bem, não é mesmo meu bem? em todos momentos pensamentos, que se batem, negros que se invadem, gringos que se esbaldem e dançam duro o arrocha que o nosso povo gosta e gosta muito, e versos, estes nunca podem faltar, falsar
é iemanjá que comemora que dança, o carnaval e a folia que se joga e estar chegando
e Jesus que não larga seu vinho, mas também não esquece seu oficio seu pranto seu martírio.
- José Augusto 02:27h 06/02/06
Escrito por Mortais às 14h51
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